Método · Vinho tinto
Pintura com vinho tinto
O vinho tinto é o segundo dos pigmentos de cozinha de Rouslam Botiev. Servido, reduzido e levado ao papel com pincel, dá-lhe uma gama de cor que nenhuma bisnaga consegue — do violeta fresco a um ocre profundo e seco — e uma forma de pintar Lisboa com a própria mesa de Lisboa.
O método
Do copo à folha
O vinho comporta-se de forma diferente do café. Acabado de sair da garrafa, assenta púrpuras e violetas frios; à medida que oxida e seca, caminha para o tijolo, a ferrugem e o castanho. Botiev pinta com essa mudança de propósito, sabendo que uma pincelada não ficará da cor que tinha quando saiu do copo.
Reduz o vinho para o aprofundar, dilui-o em água para o abrir, e sobrepõe-no em molhado para que as passagens anteriores sangrem para as seguintes. O resultado é uma pintura de pigmento único com um registo surpreendentemente amplo — sombras pisadas, carne quente, o vermelho de um telhado ao entardecer.
Como no café, não há voltar atrás sobre um erro com branco. O papel em branco é a única luz do quadro, por isso o desenho tem de estar certo enquanto o vinho ainda se move.
Porquê vinho
Pintar com a mesa de Lisboa
Portugal é um país de vinho tinto, e Botiev usa-o como usa o café — como um material honesto e do dia a dia, e não como um truque. Carrega a ideia que atravessa toda a sua obra: que as coisas comuns de um lugar podem tornar-se o seu retrato.
Há humor nisto, também. Um copo de tinto é o que nos oferecem a uma mesa de Alfama, e transformá-lo numa pintura dessa mesma rua fecha um pequeno círculo entre a cidade e a imagem da cidade.
Do atelier
O material
Cor, papel e mudança
O vinho é sobretudo água e pigmento, por isso Botiev pinta sobre papéis de trapo encorpados que aguentam molhar-se, e observa a cor mudar enquanto seca — o juízo mais importante que faz é o que uma passagem virá a ser, não o que é.
Não se deve prometer permanência fixa. A cor do vinho tinto deverá evoluir, e o sol direto ou a luz intensa aceleram a mudança. O emolduramento de conservação e menor exposição total à luz reduzem o risco, mas o vidro com filtro UV não congela a cor.
Perguntas sobre as obras a vinho
O que usa Rouslam Botiev para pintar — é mesmo vinho?
Sim. Pinta com vinho tinto como pigmento, concentrando-o para dar profundidade e diluindo-o em água para as passagens mais claras, tal como um aguarelista trabalha uma única cor.
Que cores se conseguem a partir do vinho tinto?
Mais do que se espera. O vinho fresco dá violetas e púrpuras frios; à medida que oxida e seca, passa pelo tijolo e pelo ocre até um castanho quente, por isso uma só pintura pode conter uma ampla gama de tom.
As pinturas a vinho tinto são permanentes?
Não se deve prometer permanência fixa. A cor do vinho tinto deverá evoluir, e o sol direto ou a luz intensa aceleram a mudança. O emolduramento de conservação e menor exposição total à luz reduzem o risco, mas não congelam a cor.
Posso comprar ou encomendar uma pintura a vinho, e onde as posso ver?
As obras disponíveis estão listadas na loja e as encomendas podem ser combinadas através do atelier em Alfama, Lisboa, onde as obras originais a vinho e a café podem ser vistas pessoalmente.